Seja bem-vindo. Hoje é

Pesquise Aqui!

domingo, 1 de maio de 2011

“Ser espírita no início do século XX não era fácil”

Publicação: 01 de Maio de 2011 às 00:00

A Federação Espírita do Rio Grande do Norte completou 85 anos esta semana e depois de um início cheio de dificuldades e preconceitos, a sociedade hoje conhece e aprova a atuação da instituição e a própria doutrina espírita com mais facilidade. O presidente da FERN, Eden Lemos, acredita que a disseminação do pensamento espírita ao longo dos anos encontrou eco na sociedade, principalmente por defender o bem e caridade, estimulando as pessoas a amarem o próximo. E isso fez com que aos poucos as barreiras fossem sendo superadas. Nesta entrevista, Eden Lemos faz uma avaliação da atuação da FERN, além de detalhar como é desenvolvido o trabalho voluntário junto com as instituição parceiras espalhadas por todo o Estado.  
júnior santos







As temáticas espíritas estão mais presentes no cotidiano das pessoas das mais variadas classes sociais do nosso país
Que avaliação o senhor faz desses 85 anos de Federação Espírita no Rio Grande do Norte
A avaliação que faço é muito boa. A Federação Espírita do RN (FERN), ao longo destes 85 anos, vem promovendo a difusão do pensamento de Jesus, à luz do espiritismo, contribuindo para a construção da paz, da valorização da vida e estimulando a todos, que venham a conhecer a mensagem espírita em nosso estado, que se tornem um Ser Humano cada dia mais atuante na construção da caridade, do bem, na sociedade Potiguar.

Como foi o começo de tudo? Com a Doutrina menos divulgada as pessoas tinham preconceito?
O início de tudo, 29 de abril de 1926, como a maioria das construções humanas, foi desafiador. Ser espírita no início do século XX não era fácil. O preconceito social era muito grande, ao ponto de alguns cidadãos natalenses nem pisarem na calçada da federação quando passavam pelo prédio antigo. Mas o ideal dos pioneiros daquela época foi vital para que pudéssemos hoje avançar e termos alcançado o reconhecimento do nosso direito de ser espírita e atuarmos na sociedade como participantes importantes no enfrentamento dos desafios sociais da atualidade em Natal e no Brasil.

O senhor acredita que o trabalho desenvolvido por vocês é mais bem aceito hoje em dia? Como podemos mensurar isso?
Podemos afirmar sem dúvidas que o trabalho do espiritismo no Brasil e no RN é muito bem aceito na atualidade, em nossa sociedade. As evidências são concretas em várias dimensões. Poderíamos iniciar pelas obras de assistência e promoção social que se espalham pelo Brasil afora e que tem o reconhecimento do poder público, de várias instâncias do poder privado e dos próprios cidadãos, que assistidos ou não, reconhecem publicamente este esforço contínuo que o nosso movimento espírita realiza para a população brasileira.

Além desta dimensão poderemos constatar que a frequência nas instituições espíritas pelo Brasil afora, e no RN, tem crescido, mesmo que não realizemos um convite enfático para que as pessoas frequentem as nossas casas espíritas. Esta busca é espontânea nas pessoas.
Poderíamos nos reportar a outra evidência muito significativa, a de como as temáticas, conceitos e ensinamentos espíritas, hoje, estão mais presentes no cotidiano das pessoas das mais variadas classes sociais do nosso país. A televisão, o cinema, os jornais, as revistas e o próprio vocabulário da população brasileira já assimilaram conceitos espíritas como o de Reencarnação, Mediunidade, Caridade, dentre outros, como algo comum. Nós poderíamos citar outras evidências do quanto esta realidade mudou para melhor, mas estas são bem consistentes.

O trabalho da Federação se restringe ao aspecto religioso ou vocês também desenvolvem trabalhos beneficentes? E se desenvolvem, fale um pouco sobre esses trabalhos.
A FERN realiza um trabalho cada vez mais amplo na sociedade potiguar. Não só na dimensão da assistência e promoção social, mas também nos esforços dentro dos próprios movimentos da sociedade civil. Seja integrando movimentos em defesa da vida, da construção da paz, no trabalho da educação pública, dentre outros. A ação da nossa federativa estadual hora é direta, hora é indireta. Quando atua diretamente, a sua diretoria se faz representar em várias situações a que é chamada a opinar, a participar em Natal e no RN. Indiretamente quando proporciona a formação dos trabalhadores espíritas para atuarem nas instituições espírita nas variadas tarefas que as mesmas realizam para atender os seres humanos que buscam o apoio do bem no espiritismo.

A que o senhor atribui esse maior interesse das pessoas pela Doutrina Espírita?
Atribuo ao resultado da própria difusão do pensamento espírita que temos realizado ao longo destes 85 anos no RN e a mais de um século no Brasil. À medida que as pessoas se esclarecem sobre o que é o espiritismo e do quanto este conhecimento amplia a sua compreensão sobre o que é a vida, de onde vinhemos antes do nascimento e para onde iremos após o fenômeno da morte, elas redescobrem o sentido mais profundo do que é existir! A medida que o espiritismo seja melhor compreendido, melhor as pessoas se sentirão na sua própria vida. Mesmo que não venham a se tornar espíritas.

Quais são as dificuldades que a Federação enfrenta hoje? De que a instituição sobrevive?
As maiores dificuldades que temos se referem ao pequeno número de trabalhadores espíritas para atender às demandas das várias instituições espíritas do RN. Isto porque o nosso trabalho é completamente voluntário, sem nenhum tipo de remuneração. Logo, temos que atender às atividades das casas espíritas depois que cumprimos a nossa jornada de trabalho, sempre em mais um turno de dedicação a Jesus. Outro aspecto que limita muito as nossas ações é que os recursos que utilizamos para a realização das nossas atividades são oriundos das contribuições dos sócios que integram as nossas próprias instituições. A limitação de recursos nos estimula a racionalizar ao extremo o uso destes durante as nossas realizações. No entanto, mesmo com esta limitação, temos conseguido avançar em alguns situações. Poderíamos citar as parcerias que algumas instituições tem conseguido fazer com o poder público e/ou privado para a viabilização de algumas obras de assistência e promoção social, mesmo que em alguns momentos encontremos algumas dificuldades de conretizar estas parcerias. As instituições espíritas no Brasil e no mundo sobrevivem, na maioria esmagadora das contribuições dos seus associados.

Quais as metas para o futuro?
As nossas metas para o futuro são as mesmas do presente, ou seja, continuar servindo ao próximo em nome de Jesus, nosso irmão maior, e de Deus, nosso Pai. Procurando fazer como o Bom Samaritano da parábola de Jesus, de uma maneira revolucionária, em que a ação da caridade esteja pautada no prazer em servir ao outro, sem exigência alguma de que o próximo nos retribua alguma coisa em troca do que fizemos. 
TRIBUNA DO NORTE. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita. Deixe seu comentário.